It’s Always summer anywhere in the world: the charm of Five Lands, in Italy

Photo: Manarola

The color-patterned hills bordering the sea is one of the blends of geography and architecture offered by Italy to bring even more poetry to the European summer. Located in the Ligurian region, whose capital is Genoa, the famous artistically coloured cottages built throughout the hills are part of a cluster of small villages that make up the Five Lands (or, in Italian, Cinque Terre). They are Riomaggiore, Manarola, Vernazza, Corniglia and Monterosso al Mare.

The Cinque Terre amazes and enchants for a variety of reasons: the simple and happy architecture, the hand-crafted and cosy cuisine, the colorful and themed handiwork – sold and explained by those who love what they do, with local accents and the sun burnt-skinned, relaxed-looking of the typical ‘Italian from the beach’, who sees beauty in the small details of everyday life.

If you are going by train, you will arrive by La Spezia (one hour from Genoa, and about 3.5 hours from Milan or Rome), from where trains depart periodically to all five lands. The visitor can buy the tickets individually (that costs around 4 euros each), but the tip is the daily ticket, which, for 16 euros, offers free circulation for all train stops and even allows to share highlights on social media thanks to the exclusive wifi, which works throughout the region.

There is no ideal order to explore the villages. The region is small – the train ride from La Spezia to the last land, Monterosso Al Mare, takes about 30 minutes. One tip is to take advantage of the energy in the morning to explore Riomaggiore and Manarola, the closest to La Spezia, which have the most stairs and feature the most distinctive visuals. Vernazza and Monterosso al Mare are the hottest, which calls for longer strides and perhaps lunch and dinner stops to complete the experience. Corniglia is the smallest and least visited among the villages, it is worth docking in the late afternoon for a brief walk.

Riomaggiore
Riomaggiore

Starting with Riomaggiore, you can already feel the bucolic atmosphere since arrival. On the waterfront path that leads to the mountaintop – where the view becomes most charming and complete, the tour is guided by the calm neighborhood and vibrant nature. Upon reaching the coast, the magic happens thanks to the contrast of the blue of the Ligurian sea with the matching reds, yellows and greens that balance the full extent of the Riomaggiore hills. The tip is to explore the small streets and have a breakfast to try the specialties of the Ligurian lands.

Message stamped on the streets of Manarola
Message stamped on the streets of Manarola

The next destination is Manarola. The train ride takes a few minutes and there is a walk around the hill to see the true postcard of Five Lands. During some times of the year, there’s a trail called Via Dell’Amore, which crosses the route between Riomaggiore and Manarola. During the summer, although there is only a portion available – about 300 meters on the second land side – the view is worth the ride, even if brief. The landscape is breath-taking.

The surroundings are very similar – handicraft shops, cosy cafes and the full clotheslines on the balconies making up the decor of the place. If hunger strikes, try the seafood cones, a popular snack in the region.

From Manarola it is also possible to take a boat trip that travels the five lands, with tour guides who tell a little about the history, culture and particularities of each one. It is an interesting option to get to know them all in a quieter yet more superficial way.

Typical italian architecture in the streets of Vernazza
Typical italian architecture in the streets of Vernazza

Lunch time suggestion is in the most famous and popular among the Five Lands, Vernazza. In the main square, which forms a kind of small beach, there are boats, bars, restaurants and sunbathers relaxing on the rocks. Choose one of the restaurants there, which guarantee the sea view, and let the experience surprise you. As for gastronomy, you know, the odds of getting it right in Italy are 100%. But if you want to immerse yourself in local traditions, go for anchovy, the typical Ligurian fish, or local pasta, Trofie Al Pesto – the garlic, basil and olive oil sauce comes from Genoa, the Ligurian capital. For dessert, go for gelato (of course!).

Corniglia, the smallest of them, has no access by the sea: upon arrival the tourist can take a bus or climb about 360 steps to the village. This makes her the least visited. Even so, Corniglia delights with its almost rural alleys, small-town air and particular constructions – the Gothic style of St. Peter’s Church is worth a visit.

View of the Ligurian Sea from the Corniglia High Trail

To end the tour, the recommendation is to have dinner in the largest land of the microregion. Monterosso al Mare is quite different compared to its sisters – more modern, structured and flat (a treat to the legs after a day of uphill stairs). With a very wide coast, the seafront is very lively, and there are plenty of bars and restaurants to enjoy the night facing the horizon. In addition, the city also has the upper part – where there is the statue and church of San Francisco – which offers a panoramic view of the wonderful landscape and a busy city centre.

The bustling beach of Monterosso Al Mare
The bustling beach of Monterosso Al Mare

If you decide to stay overnight, the village offers several accommodation options, and the tip is to wake up early the next day for a quick swim before saying goodbye to the colourful paradise.

Onde é verão agora: os encantos das Cinco Terras, na Itália

Foto: Manarola

Os morros estampados de cores beirando o mar é uma das misturas de geografia e arquitetura que a Itália oferece para trazer ainda mais poesia ao verão europeu. Localizadas na região da Ligúria, cuja capital é Gênova, as famosas casinhas coloridas artisticamente construídas em toda a altura dos montes fazem parte de um aglomerado de pequenos povoados que compõem as Cinco Terras (ou, em Italiano, Cinque Terre). São elas: Riomaggiore, Manarola, Vernazza, Corniglia e Monterosso al Mare.

As Cinque Terre surpreendem e encantam por vários motivos: a arquitetura simples e cheia de bossa, a culinária artesanal que abraça, os trabalhos manuais coloridos e temáticos – vendidos e explicados por quem ama o que faz-, e, por trás dos sotaques e trejeitos dos quatro cantos do mundo, o estilo de vida do ‘Italiano de litoral’, de pele queimada e olhar tranquilo, que mistura rusticidade com capricho e vê beleza nos pequenos detalhes do dia a dia.

Se vai de trem, a chegada é por La Spezia (a uma hora de Gênova, e cerca de 3 horas e meia a partir de Milão ou Roma), de onde saem trens periodicamente para todas as cinco terras. O visitante pode comprar os bilhetes individualmente (custam em torno de 4 euros), mas a dica é o bilhete diário, que, por 16 euros, oferece a circulação livre por todos as paradas do trem e ainda permite compartilhar os highlights nas redes graças ao wi-fi exclusivo, que funciona em toda a região.

Não há uma ordem ideal para explorar os vilarejos. A região é pequena e facilmente transitável – o trajeto de trem de La Spezia à ultima terra, Monterosso Al Mare, dura cerca de 30 minutos. Uma dica é aproveitar a disposição do começo do dia para conhecer Riomaggiore e Manarola, as mais próximas de La Spezia, que possuem mais escadas e apresentam os visuais mais característicos. Vernazza e Monterosso al Mare são as mais badaladas, o que pede passadas mais longas e talvez as paradas para almoço e jantar, para completar a experiência. Corniglia, por sua vez, é a menor e menos visitada entre as vilas, vale encaixá-la no final da tarde para um passeio breve.

Riomaggiore
Riomaggiore

Começando por Riomaggiore, já dá para sentir a atmosfera bucólica desde a chegada. No percurso beira-mar que leva ao ponto alto do monte – de onde a vista fica mais charmosa e completa, o passeio é embalado pela vizinhança calma e a natureza vibrante. Ao chegar na costa, a mágica acontece graças ao contraste do azul do mar lígure com o encaixe de vermelhos, amarelos e verdes que se equilibram em toda a extensão dos montes de Riomaggiore. A dica é explorar os caminhos povoado adentro e tomar um café da manhã para experimentar as especialidades das terras lígures.

Mensagem estampada pelas ruas de Manarola
Mensagem estampada pelas ruas de Manarola

O destino seguinte é Manarola. O percurso de trem leva poucos minutos e há uma caminhada contornando o monte para avistar o verdadeiro cartão postal de Cinco Terras. Durante algumas épocas do ano, abre-se a trilha Via Dell’Amore, que atravessa a rota entre Riomaggiore e Manarola. Atualmente, há apenas uma parte disponível, de cerca de 300 metros do lado da segunda terra, mas a vista vale o passeio, mesmo que breve. A paisagem, capa desta matéria, é incrível.

Os arredores são bem semelhantes – lojinhas de artesanato, cafeterias aconchegantes e os varais cheios nas varandas compondo a decoração do local. Se a fome apertar, vale experimentar os cones de frutos-do-mar, snack super popular da região.

De Manarola também é possivel fazer um passeio de barco que viaja pelas cinco terras, contando um pouco sobre historia, cultura e particularidades de cada uma. É uma opção interessante para conhecer todas de forma mais tranquila, ainda que mais superficial.

Arquitetura italiana típica nas ruas de Vernazza
Arquitetura italiana típica nas ruas de Vernazza

O almoço fica por conta da mais famosa e badalada entre as Cinco Terras, Vernazza. Na praça principal, que forma uma espécie de prainha, há saídas de barcos, bares, restaurantes e banhistas relaxando nas pedras. A dica é escolher um dos restaurantes por ali, que garantem a vista para o mar, e deixar a experiência surpreender. Quanto à gastronomia, veja bem, as chances de acerto na Itália são de 100%. Porém, se quiser mergulhar nas tradições do local, vá de anchova, o peixe típico da região lígure, ou de massa local, o Trofie Al Pesto – o molho que combina alho, manjericão e azeite tem origem em Gênova, capital da Ligúria. Para a sobremesa, vá de gelato.

Corniglia, a menor delas, não possui acesso pelo mar: na chegada o turista pode pegar um ônibus ou deve subir cerca de 360 degraus até o vilarejo. Isso faz com que ela seja a menos visitada. Mesmo assim, Corniglia encanta com suas vielas quase rurais, o ar de cidade pequena e suas contruçoes particulares – o estilo gótico da Igreja de São Pedro, é um ponto que vale a visita.

Vista do mar lígure a partir percurso para o alto de Corniglia
Vista do mar lígure a partir percurso para o alto de Corniglia

Para encerrar o passeio, a sugestão é jantar na maior terra da microrregião. Monterosso al Mare é bem diferente quando comparada com suas irmãs – mais moderna, estruturada e plana (as pernas agradecem depois de um dia de escadas morro a cima). Com uma costa bem larga, a beira-mar fica super animada, e não faltam bares e restaurantes para embalar a noite de frente para o horizonte. Além disso, a cidade possui também a parte alta – onde há a estátua e igreja de São Francisco –, que oferece uma vista panorâmica do local e um centrinho agitado.

A agitada praia de Monterosso Al Mare
A agitada praia de Monterosso Al Mare

Se decidir pernoitar, o vilarejo oferece diversas opções de hospedagem, e a dica é acordar cedo no dia seguinte para um banho de mar antes de se despedir do paraíso colorido.

Base Summer Factory: The hottest events in the most business city of Italy: Milan

Photo: The courtyard during More Than Words, an attraction that opens the stage for all types of artists.

The courtyard opened during More Than Words, an attraction that opens the stage for all types of artists.

Pizza, cute scooters and flowery balconies are guaranteed, but when it comes to Italian traditions, Milan is almost out of the list. At the busiest point in Italy, in the place of the sounds of gestural and overflowing conversations, there is a mix of languages, street musicians, and the noise of hurrying cars and motorcycles. Still, the city is far from being boring. A worldwide reference when it comes to design – whether it’s graphic, fashion, interior, and so on, Milan has a lot of artistic and, of course, creative potential.

Although its winter is severe (it snows!), The Milanese summer is one of the warmest in Italy, with temperatures around 40 degrees even after sunset – which happens around 9 pm during the season. As usual in big cities – and without beaches – many people end up escaping to the coast or to the lakes, but, day by day, the capital of Lombardy is opening up the range and offering interesting options for those who spend their time in the city.

Base is one of those committed to that. With the same meaning we know in English, the name in Italian comes from the initial structure to create something new. And, at Base, there are “new somethings” every day. The place is a mix of what’s trendiest and most democratic nowadays: cultural centre, art gallery, coworking, bar, restaurant and accommodation.

During the summer it gets even more interesting. Base Summer Factory (or, in the local language, Stabilimento Estivo) is a program that features cool attractions every day during the season, even if it rains.

The period, which slightly lengthens the summer season itself (its release was in May and the events take place until August), featured an opening party on May 29, with drinks and good music, and since then it has hosted whoever wants to want to meet nice people and interact with a universe of innovation and culture through experiences that involve art, gastronomy and a lot of creativity.

During the day, the routine is almost the same as the other stations: from 9:30 am the work and study space opens, accompanied by the local bistro bar. The change is the summer bar, located on the outdoor patio, where drinks start being served from 6.30 pm.

The outdoor bar during Milanese sunset
The outdoor bar during Milanese sunset

In the late afternoon, the schedule starts to heat up. Every Monday, for example, from 9:30 pm to 1am, the space is open to all types of artists who have something to show. The patio stage hosts readings, debates, stand-up comedy, poetry contests, and so on.

When it comes to Tuesdays, the protagonist is one of the main traditions of the country: wine. The tasting – from different producers each week – offers 3 kinds of drink – red, white and sparkling. Always outdoors, to the sound of contemporary jazz.

Wednesday is aperitif day. The Italian happy hour, which combines drinks and food at Base, takes place mid-week, from 6.30 pm to 1 am. The soundtrack is on the web radios carried by students from the best – and coolest – arts universities in Milan.

As the weekend approaches, the plans start to get busier and more music oriented. Thursdays are up to a Linecheck warm-up, one of the coolest festivals in Italy. Pre-events at Base host some of the line-up artists who present their stories, sets and inspirations.

In addition to the entire summer factory, the establishment hosts the Escola Estiva do Fazer Criativo (Summer creative school), a session of short courses, lasting one to three days, always focusing on innovation and creativity. Topics include illustration, classic painting, web marketing and fundraising.

The drawing course is one of the courses offered by the school.
The drawing course is one of the courses offered by the school.

Throughout the year, Base offers parties that mix experimental music, quality DJ sets, discussions with guests engaged in leading causes and other interesting events, which make the place always crowded by the curious people who come to Milan looking for new stories, languages ​​and ways of thinking.

Base Summer Factory: As atrações mais quentes da cidade menos italiana da Itália, Milão

O local é uma mistura do que há de mais badalado e democrático nos dias de hoje: centro cultural, galeria de arte, coworking, bar, restaurante e acomodação; E, no verão, fica ainda mais interessante.

Foto: O pátio aberto durante o More Than Words, atração que abre o palco para todos os tipos de artistas

A pizza, as lambretas charmosas e varandinhas floridas estão garantidas, mas, quando se fala em tradições italianas, Milão fica quase de fora. No ponto mais business da Itália, no lugar dos sons de conversas exageradas repletas de gestos, ouve-se uma mistura de idiomas, músicos de rua e o ruído de carros e motos cheios de pressa. Ainda assim, a cidade está longe de ser careta. Referência no mundo todo quando se fala de design – seja gráfico, de moda, de interiores, e por aí vai, Milão possui um alto potencial artístico, e, claro, criativo.

Embora seu inverno seja rigoroso (que chega a nevar!), o verão Milanês é um dos mais quentes da Itália, com temperaturas que avançam os 40 graus mesmo após o pôr do sol – que acontece por volta das 21 horas durante a estação. Como de praxe em cidades grandes – e sem praia-, muita gente acaba fugindo para o litoral ou para a região dos lagos, mas, cada vez mais, a capital da Lombardia vem abrindo o leque e oferecendo opções interessantes para quem passa o período na cidade.

O Base é um dos responsáveis por isso. Em italiano com o mesmo significado que conhecemos em português, o nome vem justamente da estrutura inicial para criar algo novo. E lá há “algos novos” todos os dias. O local é uma mistura do que há de mais badalado e democrático nos dias de hoje: centro cultural, galeria de arte, coworking, bar, restaurante e acomodação.

No verão, fica ainda mais interessante. A Base Summer Factory (ou, na língua local, Stabilimento Estivo) é uma programação que conta com atrações bacanas todos os dias durante a época, faça chuva ou faça sol (e que sol!)

O período, que alonga um pouco a temporada de verão propriamente dita (seu lançamento foi em maio e os eventos acontecem até agosto), contou com uma festa de abertura no dia 29/5, com drinks e música boa, e desde então recebe quem quiser conhecer pessoas de papo bom e interagir com um universo de inovação e cultura através de experiências que envolvem arte, gastronomia e muita criatividade.

Durante o dia, a rotina é quase a mesma das outras estações: a partir das 9h30 é aberto o espaço de trabalho e estudo, acompanhados pelo bistrô bar do local. O que muda é o bar de verão, localizado no pátio ao ar livre, onde os drinks começam a ser servidos a partir das 18h30.

 O bar externo durante o entardecer milanês
O bar externo durante o entardecer milanês

No final da tarde, a programação começa a esquentar. Todas as segundas, por exemplo, das 21h30 à 1h, o espaço é aberto para todos os tipos de artista que tem algo a mostrar. O palco do pátio recebe leituras, debates, stand-up comedy, concursos de poesia, e por aí vai.

Já às terças, o protagonista é uma das principais tradições do país: o vinho. A degustação – de produtores diferentes a cada semana – oferece 3 tipos da bebida – tinto, branco e espumante. Tudo isso ao ar livre, ao som de jazz contemporâneo.

Quarta é dia de aperitivo. O happy-hour italiano, que combina drinks e comidinhas, no Base acontece no meio da semana, das 18h30 à 1h. A trilha sonora é por conta das web rádios levadas por estudantes das melhores – e mais descoladas – universidades de artes de Milão.

Com o fim de semana se aproximando, a programação começa a ficar mais agitada e voltada à música. Quinta é dia de aquecimento para o Linecheck, um dos festivais mais bacanas da Itália. Os pré-eventos, no Base, recebem alguns dos artistas do line-up, que apresentam suas histórias, sets e inspirações.

Além de toda a fábrica de verão, o estabelecimento recebe a Escola Estiva do Fazer criativo, isso é, uma sessão de pequenos cursos, com duração de um a três dias, sempre com foco em inovação e criatividade. Entre os temas estão ilustração, pintura clássica, web marketing e fundraising.

 O curso de desenho é um dos oferecidos pela Escola Estiva do Fazer Criativo
O curso de desenho é um dos oferecidos pela Escola Estiva do Fazer Criativo

Durante o ano todo, o Base oferece festas que misturam música experimental, DJ sets de qualidade, debates com convidados engajados em causas de destaque e outras eventos interessantes, que fazem o local estar sempre cheio e ser, cada vez mais, o ponto de encontro da gente curiosa que passa por Milão em busca de novas histórias, idiomas e formas de pensar. 

‘Esta mensagem foi apagada’

O silêncio da madrugada faz barulho pra eu querer te encontrar e dizer as verdades que só chegam às três da manhã. 
Quando o mundo se esvazia lá fora com barulho de chuva e o universo inteiro se torna só meu. Com toque de edredom macio e cheiro de vela apagada. E algumas linhas rasuradas.

Que falavam com saudade.
Sobre pés entrelaçados.
E sonhos que nunca puderam acordar.

Talvez pelo vazio. Da cama ou de respostas.
Ou também pelas palavras não ditas e as promessas que não chegaram, sequer, a amanhecer.
Procurar seu olhar antes de dormir é sentir falta do beijo de boa noite e do bom dia com gosto de café preto com canela e despedida. Falta das danças de pernas e braços que eu nem sei se existiram ou se sonhei acordada enquanto escrevia pra você. 
Ou sobre você.

Sobre as gargalhadas que ficaram nos planos, os sorrisos que tinham dúvida e os olhares que davam certeza. Sobre as mãos dadas que nunca encostaram. E também sobre os abraços que nunca terminaram.

Sobre o seu cheiro já ter saído do meu travesseiro, mas ainda ser tão presente em mim. Mesmo sem tocar a pele.

Esta mensagem foi apagada. 

Sobre sentir, pensar e gosto de café fresco

Cheiro de café. 
Chuva lá fora, preguiça com abraço e olhar de aconchego. 
Eu nem gosto tanto de café, mas sorri e tomei sem pensar. 
Porque as melhores coisas da vida acontecem sem pensar. 
Riso, arrepio, sossego e amor.
E, então, eu nunca penso. Nunca pensei em chorar e jamais precisei pensar em sorrir.
Não penso para sentir. Vou fundo, mergulho, e abro espaço para o pensamento quando ele já tem som de lembrança. 
Porque sentir é agora e pensar é ontem e amanhã. 
Sentir é abstrato e pensar quer ter razão.
Sentir é perguntar, e o pensar quer responder. 
Eu não gostava de café por já pensar em gosto amargo. 
Mas o seu é doce. 
Eu senti. 

Só vive quem navega

Só vive quem navega. Quem entende a direção dos ventos e trilha caminhos aos mares do destino. 
Quem aceita o mal-tempo, altera o roteiro e sabe a hora de ancorar.
Só vive quem desafia o horizonte. Quem conhece o universo e reconhece a si mesmo. 
Porque quem navega aprende a ter calma. Por o combustível ter acabado, a maré ter subido ou a paisagem ter emocionado.
Quem navega cruza cidades, países, mares e corações. Aprende sobre a dimensão da vida, o valor do tempo e o calor do abraço. 
Quem navega sorri sorrisos de abrigo quando fica e de coragem quando vai. 
Quem navega, parte. mas uma parte sempre fica. 
E sobrevive de saudade, 
mas só vive quem navega. 


PUBLICADO EM: @EM.ALTO.MAR

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: https://bit.ly/2CUDsxo

Se você pular, eu pulo

Eu mergulho de cabeça mesmo sem saber se vai dar pé. Mesmo sem saber nadar. Vou me guiar pela sua direção porque meus sonhos têm o tamanho exato do seu encaixe.  Eu tenho medo de altura, eu sei, mas pensar em pular é algo que me faz abrir um sorriso leve, quase de criança. E eu tenho sonhado com isso desde que eu te conheci.  

Eu só cheguei até aqui quando consegui ver o mar que nos espera lá embaixo, e foi você que me convenceu a enxergá-lo. Mas agora, de repente, parece que você decidiu voltar, e estou cansada. É que a subida foi difícil, mas descer andando era algo fora dos meus planos. Porque eu não queria reencontrar a expectativa que me acompanhou no caminho de ida e dizer que não tive coragem de me jogar.  

E se eu já subi até aqui, eu quero é pular, logo! Quero sentir o choque da água fria até que meu corpo tenha que se acostumar. Quero mergulhar, nadar contra a correnteza e me deixar levar pelo movimento calmo das ondas quando a maré abaixar.  

Mas você tem que querer pular também, porque eu só pulo se te encontrar na superfície.  Se você pular, eu pulo. 


PUBLICADO EM: @EM.ALTO.MAR

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: https://bit.ly/2OaDUsM 

Mães

Comparar mães a flores é algo injusto. Embora tenham delicadeza em comum, eu nunca vi minha mãe murchar no Outono, ou ter época menos favorável para florescer. A menos que se plante “Comigo-Ninguém-Pode” em uma roseira bem florida e com espinhos delicados, essa comparação não me parece nada fiel.  

Para mim, sua melhor característica é ser uma mulher de contrastes. A sensibilidade da sua força, a resiliência de seu cansaço, a doçura das suas exigências e, o meu preferido, a segurança da sua independência. A nossa independência. Longe ou perto, cedo ou tarde, na madrugada ou já ao amanhecer, a segurança de tê-la ao meu lado ilumina cada passo que meus pés dão sozinhos.   

Seja a mãe natureza, a que você é ou a que, um dia, eu serei: que mundo colorido seria se os jardins fossem repletos de Mães.  

Feliz dia. 


PUBLICADO EM: @EM.ALTO.MAR

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: https://bit.ly/2ObOzDN 

“Nós vamos conseguir, mamãe”

Eu sei que eu sou muito pequenininho, mas a minha carinha de alívio quando eu olho pra você, pro papai, pro vovô e pra vovó não esconde o quanto meus sentimentos são grandes. Você sabe, né? Até porque nosso amor é tão grandão que já transbordou de dentro de você: eu achava até que ia escapar pelo seu umbigo!  

Quanta coisa já passamos juntos, não é? 

E não vai ser fácil, mamãe. Nunca é. A falta de chute, a contração, o parto, a amamentação e o meu primeiro resfriado. Mas vai passar.  

Eu vim pra te fazer feliz! Por isso, pouco me importam as coisas que estão lá fora ou o jeito que elas acontecem. Se é no tablet, na mamadeira, ou na escolinha. Eu confio em você, e sei que você sabe o que é o melhor pra mim. Mas eu quero que seja o melhor pra você também. 

Eu vou tropeçar no meu pezinho um milhões de vezes ainda, e nenhuma delas será sua culpa. Mas, quanto mais o tempo passar, mais eu vou ter certeza de que é pra você que eu devo correr quando eu cair e machucar. A mãozinha, o joelho ou o coração. 

Essa nossa aventura está só começando, e, embora eu ainda só saiba gargalhar e chorar, meus olhinhos já conversam com os seus, e tudo que eles querem te dizer hoje é: nós vamos conseguir, mamãe. Sempre.


PUBLICADO EM: INSTAGRAM @DRA.JULIANAVIEIRAHONORATO

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: https://bit.ly/2uLWgsb