‘Esta mensagem foi apagada’

O silêncio da madrugada faz barulho pra eu querer te encontrar e dizer as verdades que só chegam às três da manhã. 
Quando o mundo se esvazia lá fora com barulho de chuva e o universo inteiro se torna só meu. Com toque de edredom macio e cheiro de vela apagada. E algumas linhas rasuradas.

Que falavam com saudade.
Sobre pés entrelaçados.
E sonhos que nunca puderam acordar.

Talvez pelo vazio. Da cama ou de respostas.
Ou também pelas palavras não ditas e as promessas que não chegaram, sequer, a amanhecer.
Procurar seu olhar antes de dormir é sentir falta do beijo de boa noite e do bom dia com gosto de café preto com canela e despedida. Falta das danças de pernas e braços que eu nem sei se existiram ou se sonhei acordada enquanto escrevia pra você. 
Ou sobre você.

Sobre as gargalhadas que ficaram nos planos, os sorrisos que tinham dúvida e os olhares que davam certeza. Sobre as mãos dadas que nunca encostaram. E também sobre os abraços que nunca terminaram.

Sobre o seu cheiro já ter saído do meu travesseiro, mas ainda ser tão presente em mim. Mesmo sem tocar a pele.

Esta mensagem foi apagada. 

Só vive quem navega

Só vive quem navega. Quem entende a direção dos ventos e trilha caminhos aos mares do destino. 
Quem aceita o mal-tempo, altera o roteiro e sabe a hora de ancorar.
Só vive quem desafia o horizonte. Quem conhece o universo e reconhece a si mesmo. 
Porque quem navega aprende a ter calma. Por o combustível ter acabado, a maré ter subido ou a paisagem ter emocionado.
Quem navega cruza cidades, países, mares e corações. Aprende sobre a dimensão da vida, o valor do tempo e o calor do abraço. 
Quem navega sorri sorrisos de abrigo quando fica e de coragem quando vai. 
Quem navega, parte. mas uma parte sempre fica. 
E sobrevive de saudade, 
mas só vive quem navega. 


PUBLICADO EM: @EM.ALTO.MAR

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: https://bit.ly/2CUDsxo

Se você pular, eu pulo

Eu mergulho de cabeça mesmo sem saber se vai dar pé. Mesmo sem saber nadar. Vou me guiar pela sua direção porque meus sonhos têm o tamanho exato do seu encaixe.  Eu tenho medo de altura, eu sei, mas pensar em pular é algo que me faz abrir um sorriso leve, quase de criança. E eu tenho sonhado com isso desde que eu te conheci.  

Eu só cheguei até aqui quando consegui ver o mar que nos espera lá embaixo, e foi você que me convenceu a enxergá-lo. Mas agora, de repente, parece que você decidiu voltar, e estou cansada. É que a subida foi difícil, mas descer andando era algo fora dos meus planos. Porque eu não queria reencontrar a expectativa que me acompanhou no caminho de ida e dizer que não tive coragem de me jogar.  

E se eu já subi até aqui, eu quero é pular, logo! Quero sentir o choque da água fria até que meu corpo tenha que se acostumar. Quero mergulhar, nadar contra a correnteza e me deixar levar pelo movimento calmo das ondas quando a maré abaixar.  

Mas você tem que querer pular também, porque eu só pulo se te encontrar na superfície.  Se você pular, eu pulo. 


PUBLICADO EM: @EM.ALTO.MAR

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: https://bit.ly/2OaDUsM 

Mães

Comparar mães a flores é algo injusto. Embora tenham delicadeza em comum, eu nunca vi minha mãe murchar no Outono, ou ter época menos favorável para florescer. A menos que se plante “Comigo-Ninguém-Pode” em uma roseira bem florida e com espinhos delicados, essa comparação não me parece nada fiel.  

Para mim, sua melhor característica é ser uma mulher de contrastes. A sensibilidade da sua força, a resiliência de seu cansaço, a doçura das suas exigências e, o meu preferido, a segurança da sua independência. A nossa independência. Longe ou perto, cedo ou tarde, na madrugada ou já ao amanhecer, a segurança de tê-la ao meu lado ilumina cada passo que meus pés dão sozinhos.   

Seja a mãe natureza, a que você é ou a que, um dia, eu serei: que mundo colorido seria se os jardins fossem repletos de Mães.  

Feliz dia. 


PUBLICADO EM: @EM.ALTO.MAR

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: https://bit.ly/2ObOzDN 

“Nós vamos conseguir, mamãe”

Eu sei que eu sou muito pequenininho, mas a minha carinha de alívio quando eu olho pra você, pro papai, pro vovô e pra vovó não esconde o quanto meus sentimentos são grandes. Você sabe, né? Até porque nosso amor é tão grandão que já transbordou de dentro de você: eu achava até que ia escapar pelo seu umbigo!  

Quanta coisa já passamos juntos, não é? 

E não vai ser fácil, mamãe. Nunca é. A falta de chute, a contração, o parto, a amamentação e o meu primeiro resfriado. Mas vai passar.  

Eu vim pra te fazer feliz! Por isso, pouco me importam as coisas que estão lá fora ou o jeito que elas acontecem. Se é no tablet, na mamadeira, ou na escolinha. Eu confio em você, e sei que você sabe o que é o melhor pra mim. Mas eu quero que seja o melhor pra você também. 

Eu vou tropeçar no meu pezinho um milhões de vezes ainda, e nenhuma delas será sua culpa. Mas, quanto mais o tempo passar, mais eu vou ter certeza de que é pra você que eu devo correr quando eu cair e machucar. A mãozinha, o joelho ou o coração. 

Essa nossa aventura está só começando, e, embora eu ainda só saiba gargalhar e chorar, meus olhinhos já conversam com os seus, e tudo que eles querem te dizer hoje é: nós vamos conseguir, mamãe. Sempre.


PUBLICADO EM: INSTAGRAM @DRA.JULIANAVIEIRAHONORATO

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: https://bit.ly/2uLWgsb 

Ela tem uma alma leve

Há quem diga, sim, que ela não sabe o que quer, porque sofre para tomar qualquer decisão que apresente mais de uma possibilidade. Quem a conhece, por outro lado, diz que ela gosta de experimentar. Ela quer experimentar tudo. A sensualidade dela é assim. 

Às vezes não sabe para onde ir. Não por medo de errar no caminho escolhido, mas de perder a experiência da outra opção. Ela não quer perder nenhum momento. Diz que, embora não seja a melhor opção, vai trazer aprendizados, lições e, de quebra, boas risadas. 

Ela adora rir de si mesma. Isso traz mais leveza para encarar seus dias que nem sempre são fáceis. 

Porque correr atrás dos sonhos nunca é tão fácil, mas, mesmo assim, ela corre. Ela vive mais os sonhos do que a realidade, mas, quem conhece sabe que, na verdade, é ela que não vê diferença entre esses dois universos. Suas tarefas do dia a dia são sonhos a realizar, e no fim estão todas concluídas. Ninguém nunca descobriu se essa é a forma que ela encontrou para viver ou apenas para enxergar a vida. Mas, que diferença isso faz no final? 

Ela gosta de cheiros que vão de perfumes franceses ao aroma de maresia. Não resiste a uma tarde no shopping, da mesma forma que aprecia a liberdade sutil em pisar descalça na areia até que os pés toquem o mar. 

Sua culinária preferida é aquela que melhor alimenta a sua alma. Do tartar de atum ao hambúrguer com carne de porco. Para beber, tem seus momentos de Aperol Spritz na mesma proporção dos de cerveja gelada, a mais barata que tiver. E vai ao som de Sandy & Junior ou de Haikaiss. Da Praça Pôr do Sol à festa na Zona Sul. 

Ela vai aonde ela quiser. 

E por isso já teve os mais diversos amores. Por eles, já começou a tomar vinho, gostou de futebol, fez várias tatuagens e aprendeu um novo idioma. E ela foi intensa e se entregou para todos eles, da mesma forma. Porque ela nunca escolhe estilos: ela escolhe momentos. 


PUBLICADO EM: @EM.ALTO.MAR

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: https://bit.ly/2NGkScZ

Viaje sozinha

Há uma hora em que todos os caminhos levam a um só destino, e todas as dores se curam com um só remédio: viajar. Não importa qual seja a razão que te faça ficar, chega o momento que a melhor decisão a se tomar é arrumar as malas e partir. Sozinha. Com você. 

Viajar sozinha é abrir horizontes. É ter dor nas costas por causa da mala, é perder a hora, o caminho, o trem… é se perder. 

Porque quando se sabe onde está, a tendência é se acomodar. Abraçar a zona de conforto de forma que só a dor te tire dali, o que torna qualquer mudança muito mais difícil. Por outro lado, quem se perde tende a procurar e tentar um novo caminho. Ou dois, ou três, ou vinte. 

Quem sabe se perder desconfia dos caminhos simples. 

Viajar sozinha é se esquecer de tudo e se lembrar de você. É preferir sua própria companhia e não se preocupar com a expressão desconfiada – quase com pena – do garçom que pergunta “está esperando alguém?” no restaurante com vista para a Torre Eiffel. É caminhar por Veneza curtindo a lua de mel consigo mesma. 

É não ter vergonha. De falar errado, de cair na neve do Chile ou nas cachoeiras da Chapada. De tomar um porre sozinha com cervejas de Berlim. E sair dançando pelas ruas. 

Viajar sozinha é sentir saudade. É se lembrar dos problemas e perceber como eles são pequenos em relação a imensidão do mundo. É imergir em novas culturas, fazer planos e sonhar com o próximo roteiro. É saber que vão surgir problemas e não mudar sua energia por isso, por saber que são apenas experiências necessárias que te levarão exatamente onde você precisa estar. 

É sentir interesse por história e geografia, aprender idiomas e provar novos pratos até precisar de uma calça um número maior. E comprá-la.  

Viajar sozinha é experimentar. É dar voltas em torno de si mesma para encontrar uma rua no mapa. É perder o ar ao avistar o Big Ben. É conhecer pessoas novas e pedir informação de propósito pra emendar um convite para um drink no fim da tarde. 

Viajar sozinha é ir achando que sabe todas as respostas e voltar com muito mais perguntas. É desapegar e apegar. É se abrir para entender a dimensão da vida. É descobrir novos destinos dentro de si. 

É se perder. E se achar. 


PUBLICADO EM: @EM.ALTO.MAR

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: https://bit.ly/2LInSVH 

Não quero falar das conversas sérias

Não quero falar das conversas sérias, das decisões tomadas ou da falta delas. Não quero explicar sentimentos inexplicáveis e traduzir discussões intraduzíveis.  

Não quero usar palavras rebuscadas ou fingir construir poesia abstrata te fazendo a mais linda declaração de amor. 

Quero falar do lençol amassado, das gargalhadas espontâneas e do cabelo bagunçado com cara de noite anterior. 

Quero lembrar dos goles de água com sede à noite, muito mais do que dos jantares com sabor de Gin Tônica. 

Quero gosto de café quase frio pela conversa jogada fora, quero sorrisos longos e pizza para o jantar.  

Quero menos planos, porque quero agora. Como quis ontem e vou querer amanhã. 

Quero leveza. Quero você como quero a vida: assim.


PUBLICADO EM: @EM.ALTO.MAR

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: https://bit.ly/2A1k8wW